sexta-feira, 9 de maio de 2014

MACHADO DE ASSIS – TERÁ SUA OBRA ADULTERADA


Joaquim Maria Machado de Assis (1839-1908) – Romancista, contista e novelista, é considerado o grande mestre da literatura brasileira. De origem humilde, descendente de negros, órfão de mãe, venceu todas as dificuldades da vida e nos legou uma obra, verdadeiro patrimônio do povo brasileiro, como Memórias Póstuma de Brás Cubas (1881), Quincas Borba (1891), Dom Casmurro (1899), Relíquias da Casa Velha (1906), entre outras como ‘O Alienista’, ‘Histórias sem data’...
Embora sua visão do mundo seja extremamente pessimista e seus comentários sobre o homem estejam repletos de amargor, seu humor espirituoso, vivacidade, clareza e graça de seu estilo fazem com que o leitor se delicie com cada aspecto de sua narrativa.

O ALIENISTA – uma história de loucos, lançada em 1882.  Soube que estão para reescrever ‘O Alienista’ - alterando a linguagem usada pelo autor. Serão 600.000 exemplares com o patrocínio do governo. Vemos com preocupação, que pessoas queiram desconstruir o trabalho alheio que marcou uma época. Respeitar os valores do passado é o mínimo que se pode esperar de pessoas ligadas à cultura e ao ensino. Nada justifica alterar a linguagem nem a forma de apresentar o texto com frases mais curtas, numa espécie de nivelar a cultura por baixo e para baixo, subestimando a capacidade de entendimento de quem gosta de ler.

A deturpação da língua falada é previsível perante um generalizado  empobrecimento cultural no país, mas a linguagem escrita deve ser preservada como forma de estudo e conhecimento de um tempo, de uma época. O máximo permitido em uma edição de divulgação de uma obra como a de Machado de Assis seria acrescentar um índice remissivo, ou notas de rodapé com a devida explicação de termos considerados de difícil compreensão para o leitor. Além do mais, Dicionário tem sua utilidade. Fora com a preguiça mental que passou a dominar nas cabecinhas alienadas deste país.

Não faz muito tempo, implicaram com a obra de Monteiro Lobato alegando que ele seria racista. Às vezes lembram-se do vocabulário usado na letra do Hino Nacional Brasileiro, mas imagine substituir a linguagem original por um vocabulário popular... Seria uma aberração. O mesmo vale para obras como ‘O Alienista’. Um pouco de humildade e principalmente respeito, não só com o trabalho do escritor, mas também para com o leitor, é o mínimo que se espera.


Segundo a opinião da doutora em Literatura Brasileira pela USP, crítica literária e escritora Noemi Jaffe, a iniciativa é criminosa. "A simplificação é um desvirtuamento da obra original, quase que um crime contra uma propriedade, contra o que o Machado quis escrever. É como tirar as pinceladas de Van Gogh e deixar seus quadros chapados", diz.